Hoje na “A comida da minha avó” falamos com a Inês Pádua.

A Inês Pádua é a pessoa por trás da figura do brócolo na nossa família e a face mais visível da Alecrim.

A Inês é nutricionista (licenciada em Ciências da Nutrição e doutorada em Ciências do Consumo Alimentar e Nutrição pela FCNAUP), professora e investigadora na área da alergia alimentar.

É também autora de 2 livros e de dezenas de artigos e comunicações nacionais e internacionais e é ainda convidada assídua no meio audiovisual.

Apesar de eu e o resto da Família Alecrim sermos muito suspeitos, acreditem que é uma pessoa com uma enorme e notável dedicação a tudo em que se envolve, quer na sua vida profissional, quer na sua vida pessoal. Para além da alergia alimentar, a Inês destaca-se na área da educação alimentar e tem um gosto muito particular, e antigo, pela História da Alimentação.

Neste mês dos avós, e conhecendo a Inês numa família tão bonita como a quem tem (a outra para além da Família Alecrim ☺ ), não poderíamos deixar de lhe sugerir esta troca de papeis e sermos nós a entrevistar a Nutricionista Alecrim acerca das suas raízes e memórias.

VA (Veterinária Alecrim): A pergunta da praxe: que prato associas às tuas avós? (Ou pratos, sabemos que escolher um é difícil) ?

IP (Inês Pádua): À minha avó Beatriz associo, inevitavelmente (toda a família responderia o mesmo), a aletria. Era a melhor aletria do Mundo. Associo ainda a sopa de ervilhas e a “massinha com chicha” que lhe pedia sempre (e que ela fazia sempre, mesmo ficando com receio que eu ‘enjoasse’).

À minha avó Alzira associo tantos que é difícil escolher. Acho que fico com os bolinhos de bacalhau, o leite creme, e o bolo de maçã que são quase uma especialidade reconhecida. E vou também dizer uma tortilha incrível que ela me fazia e que é, provavelmente, dos pratos menos fit e mais saborosos de sempre. E a sopa de couves, a minha sopa nunca me sabe tão bem como a dela.

VA: Se as tuas avós tivessem um restaurante, que prato aconselharias?

IP: As minhas avós e a minha mãe mostraram-me que o melhor sítio para comer é mesmo em casa e por isso acho que não gostava muito que elas tivessem um restaurante. Prefiro ter o privilégio só para mim ☺

VA: As tuas avós influenciaram de alguma forma a tua opção académica?

IP: Nunca tinha pensado muito nisso até me fazeres esta pergunta… Estudar a ciência da alimentação veio muito do gosto que eu tenho por comer, pelos alimentos, pela culinária, pelas tradições. E as minhas avós foram fundamentais na construção desta paixão, já que a minha infância sabe e cheira a muita coisa boa e feliz. E também foi uma infância de muita aprendizagem; as minhas avós, assim como muitas pessoas do seu tempo, conheciam os alimentos, as origens, valorizavam-nos e acrescentavam-lhes valor. Tenho pena que isso se esteja a perder. Por isso sim, acho que influenciaram, muito.

VA: Há algum mau hábito culinário das avós que, enquanto nutricionista, não consigas não corrigir?

IP:  Felizmente ainda tenho a minha avó Alzira comigo e se por um lado tento corrigir alguns hábitos por questões de saúde, por outro não quero perder aquele estrugido que serve de base ao melhor arroz de frango de sempre.

VA: Como mãe, vais tentar que a tua filha siga as pisadas de uma família de cozinheiras de mão cheia?

IP: A minha filha é muito pequenina mas já adora “ajudar” na cozinha e nós também fomentamos isso.  Espero, sobretudo, passar-lhe o conceito de uma alimentação saudável, onde existe espaço para ser feliz a comer e para preservar tradições e o papel social e afetivo da alimentação (e que ela possa aprendê-lo também com a avó e a bisavó).

VA: Inventaste alguma receita com as avós?

IP: Não me lembro de inventar receitas com as minhas avós, acho que as invenções incríveis na cozinha é mais o departamento da minha mãe. Mas com a minha avó Alzira aprendi a ‘dar uma segunda vida’ a um bolo ou a uma sobremesa que não correu tão bem.

VA: De que prato gostarias de guardar um pedacinho para sempre?

IP: Todos aqueles que mencionei que associo às minhas avós e as pataniscas de bacalhau da minha madrinha (que é a minha tia avó, também conta!)

VA: O que mais deixa saudade da cozinha das avós?

IP: Da própria cozinheira…. 🙂

Há pouco falei da aletria da minha avó Beatriz… mesmo com a receita, nunca ninguém a conseguiu fazer da mesma forma. Tenho muitas saudades. Acredito que  o amor que punham e que, felizmente, a minha avó Alzira ainda põe na comida é indubitavelmente o tempero mais especia. A minha avó chama-lhe “mão”, eu acho que é amor.

VA: Do que é que não gostavas de comer quando eras criança e que truque usava a avó para te convencer a comer? 

IP: Eu acho que sempre comi bem! Mas quando tinha demasiada preguiça para comer porque tinha muito para fazer (leia-se brincar), contavam-me histórias protagonizadas pelos personagens malucos inventados pelo meu pai. E lembro-me da minha avó Beatriz me dizer que tinha que comer até conseguir encontrar o Mickey, que era o boneco que estava no prato.

VA: O que cozinharias no dia 26 para os avós?

IP: Isto vai parecer muito pouco glamouroso, mas acho que fritava batatas às rodelas (não podem ser de pacote) e sentava-me com a minha avó Alzira a comermos as duas da mesma taça. Sei que nos faria muito  felizes às duas.

 Obrigada, Inês, por aceitares passar para o outro lado e partilhares connosco as tuas memórias!

Não deixem de acompanhar a Inês também na Plataforma Alergia Alimentar Kids e, claro, aqui na Alecrim

Nós, por aqui, prometemos continuar a partilhar memórias. E quanto a si? Qual é a comida da sua avó? 🙂